Os deveres de um homem de Deus

Infelizmente, somos uma geração de crentes cujas igrejas são carregadas nas costas por mulheres. Os homens estão de braços cruzados, passivos, presos a pornografia e passividade, sem assumir o sacerdócio dentro de casa. Não buscam de Deus direção para a igreja ou para suas vidas. Conheço igrejas que, na tentativa de ajustar os papéis, retiraram as mulheres da liderança e afundaram. Afundaram porque retiraram as mulheres, mas não prepararam os homens para assumir seus postos. Observe o que a bíblia nos ensina no livro de 1 Timóteo:

Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância; Guardando o mistério da fé numa consciência pura. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo.  Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e governem bem a seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos, adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus. (1 Timóteo 3:1-13)

Se esses versículos fossem colocados em prática, a maioria das congregações no Brasil não teria pastor, porque o que Paulo quer dizer com essas palavras, resumidamente, é: “Se você não sabe conduzir uma mulher e cuidar de um filho, você não está pronto para assumir a igreja”.

Precisamos nos consertar diante de Deus. Nós, homens, precisamos conduzir nossa casa e saber ter uma palavra para nossas esposas. Precisamos ter a humildade e a hombridade de dizer: “Amor, Deus nos deu uma palavra. É isso que Deus tem falado comigo. É isso que Deus tem me orientado a fazer em nossa vida.” Precisamos, mesmo diante dos erros, dizer: “Olha, eu me arrependi. Estou aqui para ser transformado. Não estou conformado com o tipo de marido que tenho sido, com o tipo de patrão que tenho sido, com o tipo de crente que tenho sido. Deus tem me confrontado. Deus tem me confrontado e Ele está me alinhando.”

Ao ler a passagem citada, imagino Paulo dizendo a Timóteo: “Timóteo, você vai eleger pessoas para a igreja nova que está formando. Você está começando a montar sua liderança. Timóteo, eu quero te dar um conselho importante: quem não sabe cuidar da família não está pronto para assumir o ministério.” Por isso sei que o que faço é nobre.

A Palavra de Deus nos ensina “…que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só esposa, equilibrado, tenha domínio próprio, seja respeitável, hospitaleiro, capacitado para ensinar” (1 Timóteo 3:2). Paulo nos mostra que quem ensina a Palavra e exerce ministério tem uma nobre função; mas é necessário entendermos que ele precisa ser irrepreensível. Irrepreensível é uma palavra forte. Não diz respeito a uma pessoa infalível, mas a alguém que se arrepende antes de ser exposto. Você fez algo de errado? Procure sua esposa, procure sua liderança, e confesse: “Fiz algo errado.”

Todos nós erramos e, muitas vezes, erramos por não vigiarmos. Não prestamos atenção, fazemos uma negociação precipitada, acreditando que vai dar certo. Pensamos que o dinheiro vai entrar, que teremos êxito naquele acordo. Então, dá tudo errado e é aí que se distinguem homens imaturos de homens irrepreensíveis.

Na tentativa de corrigir um erro, alguns homens pioram ainda mais a situação por falta de maturidade para lidar com aquele problema e tentam reverter a situação para não serem reconhecidos em sua imaturidade, caindo na cilada da mentira. Outros, homens irrepreensíveis, reconhecem que erraram, procuram se expor e pedem perdão. Esses homens são irrepreensíveis não porque não erraram, mas porque não precisaram ser repreendidos por seus erros. Eles mesmos se arrependeram e buscaram o conserto de forma espontânea. Isso é maturidade.

Quando Paulo diz que esse homem deve ser marido de uma só mulher, existem aí alguns desdobramentos, mas um dos pontos sinalizados é que homem que exerce ministério tem de ter uma esposa. E ele deve ser sóbrio. Um homem sóbrio é o oposto de um homem descompensado emocionalmente, que não sabe o que quer, que atira para todo lado, mostrando comportamento instável. Ele deve ser prudente, deve calcular seus passos e pensar duas vezes antes de tomar uma decisão.

Ele deve ser respeitável,  hospitaleiro. O princípio da hospitalidade é uma ordenança do Senhor que trata também nossas vidas, porque as Escrituras nos ensinam que um homem de Deus tem de ser hospitaleiro e, quando observamos o apóstolo Pedro ensinando sobre hospitalidade, ele nos fala sobre colocarmos gente dentro da nossa casa sem murmurar (1 Pedro 4:9). E isso nos trata.

Nossa casa tem um ritmo. E quando temos um hóspede em casa, muda tudo. E há hóspedes desafiadores. Tem uma canção de Asaph Borba com um trecho assim: “Como é precioso, irmão/ estar bem junto a ti.” Ela foi inspirada em um andarilho que ele hospedou em sua casa durante cinco anos. Já o ouvi relatando de como foi difícil cuidar dessa pessoa, mas a Palavra de Deus nos ensina que podemos estar hospedando anjos ao abrir nossa casa a algumas pessoas.

A Palavra de Deus nos diz, ainda, que o obreiro, o homem de Deus, tem de ensinar. Outra tradução sinaliza que esse homem precisa dominar as Escrituras. No original, trata-se de uma pessoa que é mestre da Palavra. “Não deve ser apegado ao vinho” é uma instrução que nos aponta para o problema do vício. Uma pessoa que não tem domínio próprio não está apta ao ministério. O problema não está no vinho ou na cerveja. Refrigerantes são até mais prejudiciais em sua composição química. A questão, além do vício, é o que uma determinada bebida comunica. Álcool tem toda uma associação com farra, imoralidade e falta de controle. Homens que entendem seu testemunho como homens de Deus na sociedade não consomem bebidas alcoólicas.

A passagem ainda sinaliza que esse homem não deve ser violento. Recentemente ouvi uma estatística que diz que 80% das mulheres espancadas por seus companheiros são casadas com homens cristãos. É temível e terrível saber que quem bate em mulher nos dias de hoje são homens cristãos. A violência contra a mulher tem crescido absurdamente no Brasil e muitos desses casos estão dentro da igreja. Um homem de Deus precisa ser uma pessoa amável, pacífica. E ser pacífico não é sinônimo de ser passivo. Pacífico é um homem que, diante de um problema, controla a sua ira. Essa é, aliás, uma área de fragilidade em mim. Por vezes, acabo sendo repreensível, pois minha esposa me sinaliza que, diante de uma situação, acabo inflamando ainda mais o problema, devido ao meu forte senso de justiça própria.

Avançando nos atributos desse homem, ele não deve ser apegado ao dinheiro. E a Bíblia é recheada de experiências que nos ensinam muito sobre como podemos perder a autoridade por conta de envolvimento com problemas financeiros. Isso é muito sério! Eu conheço muitos homens genuinamente chamados por Deus para a vida ministerial que estão sofrendo por problemas ligados às finanças.

Esse homem deve governar bem sua própria casa. Governar bem não significa governar mais ou menos. Governar bem significa ter os filhos sujeitos a ele, ser uma pessoa digna. Eu poderia fazer um livro apenas sobre este assunto. Não deve ser recém-convertido, para que não seja facilmente enganado. E é importante ter boa reputação diante dos de fora.

Tenho um amigo que faz parte de uma denominação muito criteriosa. Um dos critérios para que ele fosse ordenado era que dez vizinhos dessem um relatório de sua vida, além da exigência de ele ter o nome limpo nos órgãos de crédito há pelo menos cinco anos. Você entende o que quero trazer aqui? Há congregações que ordenam seus líderes sem qualquer critério nesse sentido.

Esse homem deve ser um homem de palavra, jamais ter lucros desonestos, ter uma consciência pura e limpa. E Paulo encerra suas orientações aí, para que todos saibam como se comportar na casa de Deus. Em outras palavras, ele não estava apenas se dirigindo à liderança, mas a todos. É assim que todos nós devemos ser. Esses são os atributos da igreja. Ser igreja não é cantar uma música gospel, nem ouvir uma pregação em uma reunião de domingo. Ser igreja é viver de acordo com os atributos que Paulo nos apresenta.

Nosso culto a Deus é muito mais o que fazemos fora do templo do que durante os períodos de reunião para orar, louvar e receber a Palavra. Ir ao templo e reunir-se com os irmãos representa apenas uma gota no oceano do louvor a Deus, porque realmente o maior louvor a Deus que alguém pode expressar é o que é feito fora do templo.

Observe: Deus criou o homem, o mandou cuidar do jardim e deu a ele uma companheira. Ele não pediu ao homem para que o adorasse. As palavras culto e cultivo têm a mesma origem, como já mencionei no início do livro. Nosso maior culto a Deus é cuidar de nossa família, “cultivá-la”.  Vivemos um tempo em que as pessoas estão levantando suas mãos e adorando a Deus, mas não sabem puxar a descarga do vaso, no banheiro de sua própria casa.

“Eu escrevo essas coisas”, Paulo diz, “para que vocês saibam como se comportar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo.” Essa passagem me faz acreditar na igreja, porque se eu não lesse o que a Bíblia fala a respeito da igreja e apenas me pautasse no que tenho visto, eu já teria apostatado há muito tempo. Quem me faz acreditar na igreja não são os crentes que conheço, mas o que a Bíblia diz sobre a igreja de Cristo. A Bíblia me ensina que a igreja é a coluna e o fundamento da verdade. De todos os critérios apontados por Paulo para um líder ministerial, apenas um critério se refere a capacitação.

Segundo Paulo, um homem, para a ordenação ministerial, precisa:

  1. ser irrepreensível;
  2. marido de sua mulher;
  3. sóbrio;
  4. prudente;
  5. respeitável;
  6. hospitaleiro;
  7. apto a ensinar;
  8. não deve ser apto ao vinho;
  9. nem violento;
  10. deve ser amável;
  11. pacífico;
  12. não deve ser apegado ao dinheiro;
  13. deve governar bem sua casa;
  14. ter os filhos sujeitos a ele;
  15. ser digno;
  16. ter boa reputação diante das pessoas;
  17. ser um homem de palavra;
  18. não deve ter lucro desonesto, e
  19. deve ter consciência limpa.

Preste atenção, apenas um critério se refere à capacitação ministerial: “apto a ensinar.” Ou seja, para Paulo, uma pessoa, para ser líder, precisa conhecer bem as Escrituras. No mais, todos os atributos se referem ao seu testemunho como homem, como esposo e como pai. Meninos, portanto, não estão habilitados para serem líderes.

A questão é que essa avaliação da maturidade de alguém não costuma ser adotada para ordenar pessoas ministerialmente. Se alguém tem boa retórica e desenvoltura com a Palavra, facilmente pode ser pastor hoje em dia, o que é lamentável!

Nossa autoridade espiritual não vem da nossa capacidade de pregar, produzir avivamento, ter revelação, escrever livros ou elaborar sermões. Nossa autoridade espiritual reina no quanto cuidamos da nossa família e damos bom testemunho para a sociedade. Nossa maior credibilidade vem de nossa própria família.

Não é a igreja que valida ninguém; nós somos membros de uma igreja. O que valida você é seu próprio testemunho diante da sua família. A primeira e mais importante responsabilidade de todo homem e de toda mulher é cuidar da sua família.

Estou cada dia mais convencido de que é muito mais fácil ser um pastor, um pregador, um missionário, um evangelista, um cantor, do que ser um esposo, do que ser uma esposa. Qual o meu maior desafio como homem de Deus? Não é ser um pregador, é ser o homem que Deus deseja que eu seja para minha esposa; é ser o pai que Deus deseja que eu seja para os meus filhos. Se alguém não tem cuidado com os seus, especialmente os da sua própria casa, negou a fé, é pior que o descrente. É isso que Paulo fala (1 Timóteo 3:5).

Temos de entender de uma vez por todas: nossa vida espiritual está 100% ligada à nossa vida familiar, não há como separar uma coisa da outra. Tratar mal sua família, negligenciar suas responsabilidades dentro de casa, não ser o marido que Deus quer que você seja – a bíblia não tem rodeios, ela nos diz – é pior do que ser pagão.

Se, de tudo que explorei neste breve livro, você só conseguir se lembrar de uma única coisa, lembre-se disto: devemos ser homens e mulheres que amam, que cuidam, que honram, que respeitam um ao outro, fiéis à palavra que empenhamos no altar; que cuidam, amam, orientam e disciplinam os filhos; piedosos na vida familiar, que priorizam o relacionamento e não negociam de forma alguma a vida comum do lar.

Vida comum no lar, por sua vez, tem a ver com nos sentarmos à mesa para termos nossas refeições. Vida comum no lar é parar para estarmos juntos, é entendermos que devemos dedicar um tempo de qualidade aos nossos filhos. Acredito que quem entende e pratica isso atingiu o maior patamar de autoridade espiritual existente.

Costumo dedicar as segundas-feiras à minha família. Não abro mão disso. Vez ou outra, porém, sempre aparece um irmão desavisado me procurando. Quem é próximo a mim sabe, costumo desligar telefone e tudo, mas, às vezes, me distraio e zás, recebo aquela típica ligação: “Pastor, pelo amor de Deus, eu preciso que o senhor me aconselhe agora!”

“Querido, hoje é segunda-feira!”, costumo responder.

“Pastor, pelo amor de Deus, me ajuda. Estou perdendo a minha família. Minha esposa agora quebrou tudo aqui em casa. Que inferno, pastor!”

“Querido, olha, hoje não dá. Sinto muito, meu irmãozinho, mas hoje eu não consigo te ajudar. Amanhã, você pode ter certeza, no primeiro horário eu te atendo. Você pode vir aqui em casa, que vou te ouvir. Não precisa nem marcar comigo na igreja. É só vir aqui. Hoje eu tenho um compromisso importante: segunda-feira é dia de eu ficar com a minha família.”

“Pastor, eu estou perdendo a minha casa, e o senhor diz que não tem tempo para mim?”

“Querido, eu vou falar uma coisa muito séria para você: é porque eu tenho tempo com a minha mulher, com a minha família, que eu não estou passando pelo que você está passando. Já que você perdeu a sua esposa, não me faça perder a minha!”

“Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele o salvador do corpo” (Efésios 5:23)

Da mesma forma que Jesus é o salvador da igreja, o marido é o salvador da sua esposa. Se tem mulheres perdidas na igreja, é porque homens não sabem dar a vida por suas esposas. O casamento é nossa maior responsabilidade. E sua família só vai bem se o seu relacionamento com sua esposa vai bem. Antes de sua família, vem seu relacionamento.

Primeiro existe o casal para depois existir a família. Família é composta de filhos, parentes; só que antes da sua família, vêm você e sua mulher. Sua família vai mal porque você e sua esposa não vão bem. Sua vida profissional e sua vida ministerial não vão bem porque sua família não vai bem. Uma coisa está ligada à outra. Você precisa buscar essa graça.

Eu preciso de muito mais graça para cuidar da minha esposa do que para pregar, como já mencionei. Isso significa que você precisa assumir de uma vez por todas a responsabilidade de saber governar sua família. Eu falo diretamente a você, homem: a responsabilidade é sua. E Deus está te chamando a assumir esse encargo.

Capítulo do Livro “Geração de Homens Fracos” – Editora Jocum


EURÍPEDES MENDES FILHO
PASTOR, MISSIONÁRIO,
ESCRITOR E CONFERENCISTA